6.6.08

o novo sítio

O seguidor do apanhador no centeio tem por nome mictório luzidio e está aqui. A partir de agora, existindo interesse para tal, é lá que me poderão encontrar.

m i c t ó r i o l u z i d i o

1.6.08

apanhava no centeio quando se fartou e abalou

Com os blogues sou como em todo o resto: começo em força e cedo me canso da rotina. E por isto o apanhador no centeio finda hoje.
Recomendo a quem tenha interesse ir passando por aqui porque deixarei indicação para a nova morada quando ela surgir.

31.5.08

Bla bla bla

28.5.08

O Sydney Pollack, a feira do livro, o acordo ortográfico, a manela ferreira leite e assim

Mamas (Araki)

26.5.08

Há um programa da sic que se chama famashow e é muito giro

- Sou muito gira.
- És. Mas eu sou mais.
- Achas?
- Sim.
- Eu acho que eu sou mais gira que tu.
- Nem por sombras, desculpa lá.
- Sou sim.
- Não és.
- Sou.
- Não. Eu é que sou.
- Mas eu tenho mais botox.
- Não. Eu é que tenho mais botox.
- Desculpa mas aqui não há discussão possível. Quem tem mais botox na cara sou eu.
- Sou eu.
- Não. Sou eu.
- Eu tenho mais botox e sou mais gira.
- Não. Quem tem mais botox e é mais gira sou eu.
- Eu.
- Eu.
- Mas eu sou mais grossa, disso não há dúvida.
- Aí é que te enganas. A minha silhueta é muito mais sensual que a tua.
- Mas eu tenho mais silicone nas maminhas.
- É verdade, mas as minhas são mais redondinhas e empinadas.
- E as minhas são mais carnudas e fofas. É disto que os homens gostam.
- Não. Os homens gostam de mamas redondinhas e empinadas.
- Carnudas e fofas.
- Redondinhas e empinadas.
- Carnudas e fofas!
- Redondinhas e empinadas!
...
- Vá lá, deixa-me ser a mais gira.
- Não, não e não. A mais gira sou eu.
- Opá.
(entra em cena uma terceira tipa)
- Olá migas, então de que é que falavam?
- De qual das duas é mais gira.
- Ah, essa sou eu.
- Sou eu!
- Eu!

23.5.08

Of moons, birds & monsters

Como ia acabar por escrever sobre eles de qualquer maneira apanho já a boleia do Lourenço Bray e aqui me declaro triste viciado em MGMT. E também foi com a Radar como intermediária que se deu o clique.
Embora já tivesse ouvido a canção umas poucas vezes só então, no carro, dei conta do potencial de canção-de-verão desta Time to Pretend. Gosto sempre de uma boa canção-de-verão (Yo la Tengo e Of Montreal foram os responsáveis por duas das últimas canções-de-verão pelas quais digamos que me apaixonei). Gosto sempre de um bom álbum-de-Verão (e já não podemos contar com os Goldfrapp para tal porque decidiram começar a produzir lixo após o Black Cherry). Ainda para mais quando, para além do bom som, tem boas letras. Oracular Spectacular é, como se costuma dizer na gíria musical, uma ganda malha. E deixo aqui uma das suas muitas grandes faixas, naturalmente menos conhecida que os dois singles; isto tudo porque até sou um tipo porreiro.

21.5.08

Encontro feliz

- Olá.
- Olá.
- És uma menina muito linda, sabias?
- Mas eu não sou uma menina.
- Não és uma menina?
- Não. Sou um menino.
- És um menino?
- Sou um menino de verdade.
- Tens a certeza que és um menino e não uma menina?
- Tenho sim.
- Mesmo, mesmo?
- Mesmo, mesmo.
- Quantos anos tens?
- Tenho oito.
- Pois, eu tenho trinta e seis. Muito mais experiência de vida, como podes imaginar. E eu acho que és uma menina.
- Mas não. Eu sou um menino.
- Como podes ter tanta certeza? Não entendo.
- Porque eu tenho uma pilinha, ora.
- E achas que é a tua pilinha a provar que és um menino?
- A minha mãe diz que sim.
- Então a tua mãe é um pouco ignorante em relação ao género humano.
- A minha mãe não é ingonorante!
- Vá, não chores. Como é que te chamas?
- Marquinhos.
- Pára de choramingar, Marquinhos. És um menino, pronto. Eu acredito em ti. Estás satisfeito?
- Não.
- Mas porque não, se já admiti que és um menino e não uma menina?
- Porque, no fundo, eu sempre achei que a minha mãe era qualquer coisa, e agora apercebo-me que o qualquer coisa era ingonorante. E sendo assim não posso confiar na minha mãe. E sendo assim, se calhar, sou uma menina.
- A tua mãe nunca te enganaria, e se o fizesse seria sem querer, por achar que era o melhor para ti, para a tua felicidade.
- Mas ela também disse que eu era lindo.
- Então. E és lindo!
- Não sou.
- És sim, e olha que eu já tenho trinta e seis anos. Sei destas coisas.
- Como saber se posso confiar em ti?
- Posso dizer-te que, neste momento, gostaria imenso de te acariciar o corpinho pequenino.
- Mas isso é ilegal.
- Pois é. E por isso não o faço.
- Já são quatro e meia, tenho que ir para casa.
- Adeus Marquinhos.
- Adeus.

E o Marquinhos partiu para casa, perdeu rapidamente as memórias deste estranho encontro e nem se apercebeu que a partir desse momento a sua atitude perante tudo o que estava para além de si mudou decisivamente. Foi, portanto, um encontro feliz.

Paz mor saúde

Sou o tipo com caracóis debilmente desalinhados sentado ali mais ou menos a meio olhando a paisagem. Atenta na minha expressão - é a de quem sonda; não a do tipo curioso por tudo o que não é ele próprio mas a do tipo cheio de si próprio que sonda o além-mim como o rico europeu sondava os esquimós e os pretos quando os descobriu pela primeira vez. Tenho 20 anos. Não, tenho 10. E 54. Não, 54 não poderia ter, que me falta tudo. Tenho 15, pronto, que fica entre o 10 e o 20. Atenta lá na face. A barba rala, os olhos verdes e sem expressão, e atenta nas costas também, a invulgar curvatura. Giro, hein? Olha, e tenho um livro pousado sobre as minhas calças de bombazine que um dia foram azuis e escuras. Não consegues ler o título. Deixa, o livro é uma merda. Não há nada, aliás, que valha a pena ver nesta imagem. Afasta-te, vá.

20.5.08

Recuerdo














Francis Bacon e William Burroughs em Londres em 1989

19.5.08

Top música para ouvir enquanto cortas os pulsos #1


Slowdive - Golden Hair (Peel session)

Kiwi

17.5.08

Malaguetas

Revista Malagueta nº9
Com um miniconto meu
(espectacular, hein?)

14.5.08

Três das melhores músicas de sempre são dos Smiths




(este post é dirigido apenas a quem não se tinha ainda apercebido disso)

13.5.08

Estória sensual


















Era uma vez um Marquinhos muito jovem e que quando mirava um auto-retrato do Egon Schiele afirmava, peremptório, «sou eu». Por vezes, embora raras, acrescentava ainda «e hei-de prová-lo no dia em que falecer vítima da gripe espanhola», o que - sei - nunca chegou a acontecer.

Um dos melhores

Bater a bota

No meu 12º ano tive que desenvolver um trabalho que me levou ainda uns poucos meses. Nessa altura achava que as artes plásticas viriam a ser a minha vida pelo que vi nessa a oportunidade perfeita de estudar conscientemente o que poderia vir a ser a minha arte, a forma como - enquanto "artista" - apreendia o mundo e trabalhava a visão do mesmo. Foi um trabalho francamente óptimo e marcante; trabalhei muito, diverti-me, aprendi sobre mim e sobre os outros e saquei ainda uma grande nota. No fim, o trabalho final foi - como estudante aplicado que era - não muito mais que um aglomerado pomposo de referências. Pollock, Duchamp, de Kooning, Ernst, Kline e Rauschenberg. Estavam todos mortos menos o último. Até ontem. Não sinto grande pesar porque já era velho e porque enquanto eu vou continuar a tentar fazer alguma coisa de que me orgulhe ele morreu sabendo que o seu trabalho tem já a garantia de nunca vir a morrer.

12.5.08

Conversas

Era final de tarde. Joaquim e Castanho estavam na esplanada de um cafezinho de Lisboa e conversavam.
- E agora falemos sobre mim - disse o Castanho.
- Não, sobre mim - respondeu Joaquim.
- Não, por favor, falemos sobre mim - repetiu o Castanho
- Sobre mim, insisto - disse Joaquim perdendo a paciência.
- Ora, camarada Joaquim, mas eu sou um homem muito mais interessante que tu - disse Castanho.
- Não te sobrestimes, que pode ser perigoso - respondeu Joaquim - entre nós dois o homem mais interessante sou eu. E isso é claro como água.
- Sou eu - impôs Castanho.
- Eu - gritou Joaquim.
- Desculpa mas sou eu - disse o Castanho.
- Não há por que pedir desculpa porque não existe maneira de seres mais interessante que eu - respondeu Joaquim.
- Sou sim, e por isso falemos de mim - respondeu o Castanho.
- Nananinanão. De mim - respondeu o Joaquim.
Eu estava à rasquinha para fazer cocó e a minha mãe ligara-me comunicando que o jantar estava pronto, por isso fui para casa e não pude continuar a ouvir a conversa.

11.5.08

E continuo a não conseguir livrar-me dos advérbios



8.5.08

A roda da punheta

Os cinco miúdos de pouca idade estão no terreno. As calças estão baixas, os cintos roçam o chão. Estão dispostos em roda; a roda da punheta. O Sandro começou por dizer que a pila do Bernardo era a mais pequena, que parecia uma migalhinha. O Bernardo replicou que a do Mariano era ainda mais pequena, e para além disso o que contava não era o tamanho mas sim a grossura. O imigrante sérvio riu-se; pensou, despreocupado, que a pila maior e acima de tudo mais bonita era a sua. O Mariano chegou-se perto do amigo e aproximou a sua pila da de Bernardo de forma a poder compará-las. Sabia que Bernardo tinha razão quando dizia que a sua pila era maior que a de Mariano, mas não o quis admitir. O Sandro disse em voz muito alta, sorridente, que a pila do Mariano era mesmo a mais pequena do grupo. Vasco, fazendo jus ao epíteto de mais calmo do grupo, concordou baixinho, de forma que ninguém se apercebeu. Mariano começava a ficar irritado porque não gostava que falassem mal da sua pila, e argumentou que a sua era mais grossa que a de Vasco e que isso já era alguma coisa. Vasco continuou a masturbar-se como nada tivesse sido dito. O imigrante sérvio bateu nas costas de Mariano e disse que, mesmo assim, a sua continuava a ser mais pequena. Sandro e Bernardo riram alto, concordando. Mariano parou de acariciar o seu pénis e lançou-se a Sandro, que ria muito alto. Sandro, apanhado desprevenido, caiu para trás com o peso do amigo sobre si. Bernardo aproximou-se tentanto separar os amigos mas Mariano virou-se e deu-lhe um murro na cara. O imigrante sérvio lançou mais uma das suas gargalhadas e Bernardo, que não gostava de ser gozado, empurrou o amigo sérvio, que acabou por cair também no chão. O imigrante sérvio levantou-se rapidamente e projectou todo o seu peso no amigo Bernardo, mandando-o também ao chão. Sandro e Mariano continuavam a trocar murros e insultos. O imigrante sérvio e Bernardo faziam-no também. Passaram-se momentos muito breves até que Vasco, que observava tudo com a serenidade própria de quem é o mais calmo do grupo, veio-se pela primeira vez. Puxou então as calças para cima, apertou o cinto e abalou para casa.

7.5.08

Em repeat

Mas eu não sei nada. Não aspiro saber nada. Só quero ser bancário; ser bancário e ter uma bela pança, possuir um andarzinho na periferia de Lisboa, uma mulher roliça e dois filhos que educarei com fingido esmero de forma a um dia poder pagar-lhes a universidade e esperar, orgulhoso, que continuem o meu império de mediocridade por muitos e bons anos. E ter netinhos, que felicidade seria ter três ou quatro netinhos.

Dois mil e oito

Pergunto-me, por curiosidade, qual será o escritor representativo destes tempos em que a visualização de um homem a ser degolado, de um outro senhor a ser sodomizado por um cavalo (que o terá supostamente levado à morte, o que não é de estranhar), de duas moças que à falta de melhor decidiram começar a cagar na boca uma da outra e comer as suas fezes e o seu vomitado num festim orgíaco de requinte e bom gosto, isto e mais (como auto-mutilação nos testículos, acabo de saber), está à distância de um clique, acessível a todo e qualquer homem ou mulher que disponha da cada vez mais comum ligação à net? A contemporaneidade (também) está aqui. Haja tomates para escrever sobre o hoje. Daí resultará literatura "trashy"? Mas pois se os tempos são "trashy"!

4.5.08

Pergunta dos 250.000 euros

Porque é que não se encontram fotos incrivelmente boas da Carmen Maura na internet?

3.5.08

Este (já não) é um blog sobre literatura














David Wojnarowicz, série "Rimbaud in New York"

Serviço público

Top música para ouvir antes de começares a cortar os pulsos:
1. Max Richter – On the nature of daylight
2. Paco de Lucia – Recuerdos de Alhambra
3. Dirty Three - Hope

Top música para ouvir enquanto cortas os pulsos:
1. Slowdive – Golden hair (Peel session)
2. Portishead – Roads
3. Radiohead – Exit music (for a film)

Top música para ouvir enquanto rejubilas de alegria:
1. Animal Collective - Grass
2. Of Montreal – Your magic is working
3. The Go! Team – Huddle formation

Top música para ouvir quando tens a sensação de que és a rainha da festa:
1. Of Montreal – Gronlandic edit
2. Scissor Sisters – Filthy/Gorgeous
3. Blur – Girls & boys

Top música para ouvir enquanto o dia nasce:
1. Animal Collective – Banshee Beat
2. Massive Attack – Inertia creeps
3. Kevin Shields – City girl

Top música para ouvir quando estás arrependido:
1. The Smiths - Please please please let me get what I want
2. Beck – Everybody’s gotta learn sometime
3. Bonnie Prince Billy - I see a darkness

Top música para ouvir quando te sentes bué da literato:
1. The Divine Comedy – Our mutual friend
2. Nick Cave & The Bad Seeds – The curse of Millhaven
3. The Smiths – Cemetry gates

Top música para ouvir quando estás bué da irritado:
1. Morrissey - How can anybody possibly know how I feel?
2. Radiohead – 2+2=5
3. Pixies – Where is my mind?

Top música para ouvir quando te sentes desamparado embora esperançoso:
1. Modest Mouse - Float on
2. Beirut – Rhineland (Heartland)
3. The Smiths - I know it's over

Top música para ouvir quando estás meio mocado:
1. Primal Scream – Higher than the sun
2. Primal Scream – Come together
3. Primal Scream – Evil heat

Top música para ouvir quando o ambiente está bastante lascivo:
1. The Velvet Underground – Venus in furs
2. Goldfrapp – UK girls
3. Massive Attack – Group four

Top música para ouvir quando não fazes ideia do que se passa e pensas ‘mas tá-se bem, acho eu’:
1. Sonic Youth – Beauty lies in the eye
2. Animal Collective – Visiting friends
3. My Bloody Valentine – To here knows when

Top música para ouvir quando estás 'buedámáluco!!!!':
1. Captain Beefheart & his Magic Band – Ella Guru
2. Messer Chups – Ghost rides to west
3. Tom Waits – Rain dogs

Top música para ouvir quando não sabes se estás lânguido ou com a pica toda:
1. PJ Harvey – There will never be a better time
2. Animal Collective - Loch raven
3. António Variações - Canção do engate

Top música das que ficaram de fora mas que também vale a pena ouvir:
- TV on the Radio – Wolf like me
- Nick Cave & The Bad Seeds - And no more shall we part
- Grizzly Bear – Knife

1.5.08

Diversão reles

o post de hoje é fofinho (carregar aqui faz favor)

Drama


Shearwater - Rooks

30.4.08

Tv on the blog e coisas assim

Gostaria de obter o último álbum dos The Go! Team. O soulseek parece não funcionar. O meu nick no soulseek é puddle e o facto irrita-me um bocadinho. Os Scissor Sisters vão destronar o Charles Mingus na liderança da minha tabela dos mais ouvidos no last fm na próxima vez que o site decidir actualizar, o que não me irrita mas sei passar a ser impossível a partir de então fazer passar a ideia de um tipo esperto e intelectual. Por causa disto, mudei a minha foto de apresentação - tirei o traseiro do Mapplethorpe e coloquei a minha fronha. A minha fronha é mais feia que o traseiro do Mapplethorpe. Não sei se junte natas à massa no jantar de hoje. Queria ser mais saudável. Passei o dia inteiro a ler o blog do amigo pop - de vez em quando dá-me para ler certos blogues começando numa ponta e acabando na outra; o último tinha sido o auto-retrato mas como é daqueles blogues com tanta xixa acabei por não conseguir ler nem metade, está agora em stand-by. Não gosto de blogues que se alimentam dia após dia à base de links e citações a outros blogues, como quem diz 'epá, somos tão bué da amigos e gostamos tanto um do outro que até te linko não só na coluna dos links como nos próprios posts'. Vivo um daqueles momentos característicos dos jovens parasitas da sociedade (os que vivem com os pais e não fazem nada da vida) em que os pais vão passear durante um fim-de-semana prolongado, ficamos sozinhos e com a casa por nossa conta e não sabemos o que fazer porque sentimos a pressão de que esses quatro dias têm que ser os melhores se não da vida, ao menos do ano. Há um filme do Almodóvar na estante por visualizar que era para ter sido visto ontem e depois passou para hoje e agora acho que passou para amanhã. Também li uns posts avulsos daqui da casa e concluí que um blog, na verdade, diz muito pouco sobre as pessoas, mas a ilusão do contrário dá o que se pode considerar, por nós bem falantes, uma pica extrema. Gosto muito mais de ler posts mais-ou-menos pessoais do que de escrevê-los, pelo que é raro entregar-me a esse tipo de masturbação. Como o leitor perspicaz decerto já notou, hoje entreguei-me; apeteceu-me ser subversivo. Curto bués de subversões, tás a topar?

4 em linha

Milton disse qualquer coisa que Nilson e Martim não ouviram. João estava tenso porque o Martim ia embora e ficaria sem o amigo que vivia mais próximo de sua casa. Martim observou por momentos Milton olhar a floresta para além do rio. Nilson ria e coçava a cabeça sem razão aparente. João recebeu uma mensagem no seu telemóvel. Martim disse “podíamos ir de barco até tua casa, Milton”. Milton respondeu “depois do Verão, agora está muito quente” e Nilson riu novamente enquanto coçava a cabeça. Milton perguntou ao irmão se queria levar um murro na tromba. Nilson respondeu negativamente. João acabou de ler a mensagem e Nilson viu-o sorrir. Martim soltou um suspiro que todos ouviram e não comentaram por pensarem que Martim suspirava por ter que sair do país. Permaneceram em silêncio durante muito tempo. Dois anos e três meses mais tarde, Milton suicidou-se. Ninguém, nem Nilson, nem João, nem Martim, sabia porquê. Custou-lhes muito. Um dia, Nilson sentou-se no chão e relembrou aquela tarde em que permaneciam os quatro sentados à beira do rio enquanto, por trás deles, dançavam reflexos de cães vadios nas poças de água que se formaram após o temporal.

29.4.08

De acordo

1. Sebastião Maravilha recusara-se a ver o Ken Park, o Império dos Sentidos e o Shortbus - entre outros - porque achava-os de teor altamente sujo e repelente.
2. Por essas mesmas razões sempre que tomava banho jamais olhava para baixo.
2,5. A visão da sua pila ao penduricalho chocava-o bastante.
3. Sempre que Sebastião Maravilha ia à igreja pedia a Deus uma versão PG-13 do mundo.